Sobre ser mãe... parto natural, normal ou cesária?!
Vejo no rosto de muitas amigas e gestantes que fotografo, aquela ansiedade e expectativa sobre a tão esperada chegada do bebê.
O que vai ser? Como vai acontecer?
Acredito que nosso desejo como gestante deve ser sempre respeitado. Sem a neura de que tem que ser parto normal ou natural, o importante é se informar sempre. Ser mãe é algo natural... desde de sempre é assim. Infelizmente, ainda hoje, cesárias são feitas sem necessidade... mas, é claro que sabemos que muitas salvam vidas.
Hoje, li um relato muito lindo e emocionante que gostaria de compartilhar com vocês. Segue abaixo, uma parte deste relato:
Para Francisco, nosso pequeno amor.
Filho,
(...) A história do seu nascimento não é apenas um relato de parto, é o relato de uma caminhada. Um caminho longo, cheio de pedras e flores, no qual eu não conhecia o destino, mas seguimos (os quatro) firmes e iluminando essa estrada com conhecimento, amor e com o carinho dos que nos cercaram. (...)
O
caminho pro Sofia nunca tinha sido tão longo, as contrações continuavam, as
risadas continuavam e o caminho continuava. Nos perdemos em um bairro
desconhecido e às 23h chegamos ao Centro de Parto Natural (CPN). (...)
As contrações continuavam bem, até que do nada alguma coisa mudou.
Francisco, eu sabia que tinha algo errado. Seu irmão havia nascido de cesárea
há 4 anos e 10 meses e esse lugar começou a doer, não era uma dor como as
contrações, eu tento descrever e não encontro palavras de tão absurda era
aquela dor, a sensação de que eu estava sendo rasgada de dentro pra fora
naquele local, eu perdi o medo de gritar, eu perdi o medo da morte porque eu
tinha a certeza absoluta de que nada poderia ser pior que aquela dor. E conheço
meu corpo e sabia que algo não estava normal, aquele médico havia me cortado há
5 anos e estava fazendo isso novamente e tudo o que eu tinha trabalhado em
cinco anos estava voltando à tona. Não lembro o momento exato em que a Helena
chegou, mas lembro claramente de quando eu gritava de dor na banheira e ela me
olhava nos olhos e repetia: Marina, está tudo bem, grita Marina, você está indo
muito bem. Ah filho, eu não sabia a força que as mulheres tem, eu não sabia
como esse apoio era bonito. Nós estávamos cercados de mulheres lindas, fortes e
guerreiras. (...)

Bom, a dor não passava, nesse momento já estavamos sendo
acompanhados por uma médica que havia parido três crianças em casa, o que me
deixava tranquila e me dava a certeza de que não cairia em uma cesárea
desnecessária, mas estava escrito na testa dela que ela estava preocupada. (...)
A situação não havia evoluído, você estava transverso e a
manobra não poderia ser feita porque eu queixava (leia-se: urrava) de dor na
cirurgia anterior o que sugeria rotura uterina, a bolsa havia rompido, você não
tinha descido, havia parada de progressão mesmo pós ocitocina, eu estava
estagnada em 8cm há, pelo menos, 6 horas. Foi quando toda equipe entrou no
quarto e decidimos: Cesárea.
Francisco, eu chorei. Chorei de tristeza por ter caminhado e
não ter alcançado o topo da montanha, mas chorava de alegria por que teria você
em meus braços. Chorei de alívio, chorei por ter tido paz, por terem te
respeitado, por ter vivido tudo aquilo e não terem roubado o meu parto. Chorei
por todo o respeito que tiveram com você. Aquela cesárea não me foi imposta,
não me empurraram ela guela abaixo. Você precisava daquilo e eu também, era
nossa hora.
(...) E foi assim que você veio ao mundo, filho,
ao som de Reconhecimento e regado pelas lágrimas de alegria do seu pai. Você
nasceu e veio imediatamente pro meu peito e foi ali que ficou durante muito
tempo, você não foi esfregado, eu pude sentir seu cheirinho, você mamou muito e
pouco chorou. Não te aspiraram, não te aplicaram nenhum colírio, você não saiu
de perto de mim e do seu pai por nenhum segundo. Não dói nascer, filho, nascer
é bonito, é doce.
E aquela caminhada que eu achava que havia me perdido, na
verdade eu me encontrei. Nem sempre o destino é o que importa, pois é no
caminho que nos construímos. Foi nesse caminho que me iluminei, encontrei
pessoas com o coração maior que o mundo, cresci e amadureci junto com seu pai,
eduquei seu irmão quanto a forma de nascer que todo ser humano merece. Foi
nesse caminho que me encontrei e descobri que o destino certo é aquele em que
se é moldado, em que se é feliz. Meu destino é você, meu amor. O destino mais
bonito de nossas vidas.
Com amor, Marina Mamede.
Vale a pena conferir o relato na íntegra. Só clicar:
Obs. 1: As fotos utilizadas no relato, são do post original.
Obs.2: Mamães, no blog da Marina vocês encontrarão várias assuntos relacionados a maternidade, a amamentação, etc... Vale pena correr o olho nos outros posts.
FICA A DICA! ;)
Andréa Pires
Mamãe de três e fotógrafa!
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Fotografias contam histórias... Qual é a sua?!